domingo, 17 de maio de 2015

Sem título

Terça feira de uma tarde qualquer. Dessas sem cor, sem cheiro, sem "nada". Apenas a velha rotina de casa trabalho e vice versa. Não que fosse sempre chato, mas sem nenhuma surpresa. Totalmente insipida..

O metrô estava lotado. Uma jovem,  atrapalhada, esbarrava em todos que estavam por perto. Ou será que queria apenas achar um banco vazio? Acho que pode ser isso. Bem... Escutava música alta e olhava fixamente para o celular. Na verdade quase todos olhavam para o celular, ou para o chão cinzento e já sujo do metrô. Como se tivessem perdido algo. Querendo chegar ao seu destino. Ou apenas cansaço.

Do lado esquerdo. Bem no canto. Um homem de chapéu bonito, calças mostrando as meias brancas e o sapato preto bem engrachado alternava um ritmo quase imperceptível. Cabelo  grisalho,  nas mãos um bolo de papéis envolvidos em um papel avermelhado, os olhos bem vivos que brilhavam e na boca um sorriso doce.  Aquilo me prendeu. Cantarolava baixinho. Fiquei observando. E ao vê-lo descer na estação seguinte, aquele sorriso nasceu em minha boca. E já não era um dia qualquer.

Outras intensidades

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