sábado, 22 de junho de 2013

Então fica.




" Me pegue pelas mãos
Me traga pra perto
Me pegue pelo coração
Fazendo só o que é certo
Não deixe meu olhar se desviar. "



Ela girava e sorria. Como se fosse menina. Com encantos de mulher.  Os cabelos caia sobre o rosto. Sua respiração era ofegante. E ainda era apenas o começo.
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 Não sei exatamente o que os ponteiros marcavam, pois cada segundo perdido era como se não houvesse mais tempo de ser feliz. Colocou seu salto alto, vestido preto e desenhou a boca com batom vermelho. Se olhou no espelho e  tentou se reconhecer. Sorriu. Viu uma menina. Viu uma mulher. E quis sentir mais.
Saiu pelas ruas  com os passos marcados. Sem pressa. Sem peso. Como se desfilasse. Sorria com o canto da boca e tinha aquele olhar de quem sonha os sonhos mais coloridos que se pode ter.
Os ritmos variavam. Ela deslizava pelo salão. Se entregou a emoção que as músicas faziam seu corpo sentir.  E sentiu que ali era seu lugar. Era ali. Passava de um braço para outro. E dançava como se o mundo fosse acabar.
Myka já sentia os pés começarem a doer. Mas não queria parar. E jurou não mais parar. Sentou-se no bar e pediu um guaraná com laranja lima [seu vício]. Alguém sussurrou em seu ouvido, lhe convidando para dançar. Aquela voz era conhecida. Lhe estendeu a mão e a levou para o salão. A segurou pela cintura e a olhou como se quisesse lhe desvendar. Começaram lentamente. Ele passou as mão pelos cabelos dela e girou sua cabeça lentamente. E aos poucos foram dançando e dançando e conversavam e sorriam, como se o tempo não houvesse passado. Falou sobre seus olhos, suas mãos, seu sorriso, sua tatuagem, sua dança. Já cansados a pegou pela mão e desceram a escada correndo. Pareciam um casal. Ele contou sobre sua vida. E Myka sobre a dela. E nem chorou.  Até sorriu, porque lembrou de alguém que comparava com novela mexicana. Ele também sorriu.
O sol já nascia. E estava um friozinho gostoso que fazia sentir aquele calorzinho no rosto do sol da manhã. Ele tirou a mecha que estava sobre o rosto dela e enrolou seus cabelos. Ele pediu para cuidar dela. Que podia ser o destino ou momento, mas que com ela era diferente. Que ele nunca se sentiu assim com ninguém. Ela balançou a cabeça e saiu com os passos apressados e a seguiu e a segurou pelo braço. E perguntou é só isso? É assim? Não vai nem tentar?Não vai me dar uma chance mais uma vez? Eu não sou ele. Você nem tentou. Nunca pensou em tentar. Agora é diferente. O que te prende?  Ela o olhou. E ficou quieta. Sentiu medo. Mas também se sentiu bem. Ela se debruçou no muro e fechou os olhos tentando sentir o sol. E ele a abraçou, beijou seu rosto e disse baixinho em seu ouvido: - Só deixa eu ficar.

Outras intensidades

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