quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Escolhas

Era final da primavera. Ainda havia rosas no jardim, mas outras já estavam desmanchadas no chão. Marta havia trabalhado o dia inteiro, contava os segundos para sentir o cheiro de casa, da comida, das crianças... Já passava das 9 horas. As luzes do jardim estavam apagadas. Entrou em casa, as crianças assistiam TV. Crianças? Maicon tinha 15 anos e Ângela 17. Deu um beijo em cada um e depois se jogou no sofá. Estava cansada.
Tudo estava em seu lugar. Na cozinha vinha um cheiro bom. Marta não havia comido o dia inteiro. Na mesa tinha um bilhete" amor, seu jantar esta no microondas." Sorriu. Jantou acompanhando o filme que seus filhos assistiam. Para ela não passava de bobagens de adolescente. Subiu. Foi para o banho. Deu um beijo de boa noite e foi dormir. Rolou na cama sentiu medo ao sentir que alguém a olhava. Mas adormeceu olhando a foto do seu casamento.
Seu marido se chama Rômulo. Para ela era, Xuxu. Sim, era assim que ela o chamava. Ele trabalhava em uma empresa de publicidade de sucesso. Vivia viajando. E aquela noite não estava em casa. Mas era como se tivesse.
Acordou como de costume. Foi fazer o café. Achou estranho não haver barulho. De Maicon não ter ligado o som alto, pensou ser um milagre. Foi pegar o jornal. No chão da varanda haviam marcas. Pegadas... Era sangue? Não sabia. As pegadas contornavam a casa, cada vez mais era a certeza. Gritou pelos filhos. Responderam com raiva por te-los acordado. Desceram. Ouviram um grito. Era Marta. Havia encontrado um corpo com sangue nos fundos e seu marido ajoelhado chorando. Ela não entendia.
- Oi querida - disse Rômulo aos prantos. Esse é Roberto, meu colega de trabalho. Nunca te disse, mas ele vivia me seguindo... Me perguntava sobre você e... Hoje de madrugada quando cheguei ele estava te observando dormir. Fique vigiando de longe, até ele tentar entrar em casa. Não pensei duas vezes e fui para cima dele.Ele estava armado, na briga ele sacou a arma...brigamos novamente e a arma disparou.
Marta não tinha reação. Só chorava. Secou suas lágrimas e disse: Obrigado por me proteger... Fez a coisa certa? E agora? E nossa família? Você destruiu tudo por ciúmes? O que é certo? É errado proteger quem ama?  Sentou ao seu lado e o abraçou. Choraram...
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Outras intensidades

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