quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Entre as estações.


O coração humano tem tesouros ocultos. No segredo mantido, No silêncio selado… Os pensamentos, as esperanças, os sonhos, os prazeres… Cujo charme se romperia se revelado.
Charlote Bronte

De repente aquele cheiro de grama molhada, aquela cor verde, um gosto de felicidade. As estações e suas marcas. Nada como ver o quanto você aprendeu e cresceu.Tantas histórias e sorrisos. As crianças correndo pelo campo. As flores rodopiando ao redor. O café quentinho, o sol aquecendo as casas enquanto balançava na rede. A natureza inocente e os livros de romance. A fogueira, o pomar e as estrelas. Tudo de mais sublime. 
De longe alguém olhava. Com sua barba bem feita, sua pele morena e alguns sorrisos pelo canto da boca. Ela ficou sentada embaixo da árvore. Na verdade  não sabia o que fazer. Não se viam fazia algum tempo.Talvez entre uma e outra estação do ano, mas para seus corações, eram muito tempo. E da última vez que o viu ela saiu pelos campos chorando e ele foi embora. Havia mentido para ela. Havia construído um mundo só para eles. Quando ela descobriu a verdade. Tudo de encantador e colorido havia morrido. Ela jurou não mais amar e pensou que havia conseguido esquecer. Pensou. Pois ao vê-lo ali, parado em sua frente, sentiu seu coração acelerar e milhões de borboletas alvoroçadas em sua barriga ou estômago. Ela não sabia bem. Quis correr, mas ficou quieta. Observando cada passo. 
Viu uma mão se estendendo na sua frente e um sorriso doce nos lábios e no olhar. E antes que ela pudesse fazer ou dizer qualquer coisa ele se virou de costas e começou a andar. Ela não entendeu e se levantou bruscamente. Nada fazia mas sentido, mas ele não podia ir embora de novo. Não assim, sem pelo menos dizer adeus ou explicar porque tinha feito aquilo. Se dizia tanto ama-lá. Se a tirou da casas dos pais, lhe mostrou um mundo lindo e simplesmente destruiu tudo.
Ele então, se voltou para ela novamente e segurou seus braços com força, haviam algumas lágrimas em seu rosto.Ela ficou imóvel. Não conseguia parar de olhar para aqueles olhos bonitos, mas tristes. Foi então que ele soltou os braços dela e acariciou seu rosto e disse: 
- Eu tentei. Eu juro que tentei, mas eu não consigo fazer nada certo. Não consigo mais ser totalmente feliz. Eu andei pelas ruas. Descobri novos caminhos e o que posso dizer até novos amores. Mas eu sempre faltava algo. Sempre faltava você. Faltava os beijos que me faziam acordar cedo e eu reclamava. Do seu sorriso pela casa. Do seu corpo esquentando o meu. Do seu colo quando algo dava errado e até mesmo das suas brigas bobas. Eu senti falta de você. E não importa se tive uma, duas ou não sei... em meus braços e se as amei. Nenhuma foi você. Você é única. Você me irrita, me deixa confuso. Mas eu não sei viver sem você. Você é meu verdadeiro amor. E eu sei que demorei para ver isso, mas é você. Eu preciso de você ao meu lado. Eu...
Ela tampou sua boca com a mão, o impedindo que continuasse. Havia agora lágrimas em seus olhos e um pequeno sorriso em seus lábios. quando docemente falou.

- Era só ter me beijado.


Outras intensidades

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...