quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um pouco de sol


Acho que estou ao inverso. Quis tanto o sol. E tentei escrever coisas bonitas para chegar ao céu e tocar as nuvens. Tentei escrever algo leve como as lembranças doces que tive, mas não era o bastante. Escutei uma música alegre, mas não era o que queria. É eu também estou confusa. Arrumei meu quarto e joguei tudo fora que não me servia mais. Tirei todo o pó. Pintei até as paredes. Coloquei algumas fotos. Aquelas de primavera e de dias coloridos. Deixei espaços no armário e na minha caixinha de emoções. Estava realmente precisando de coisas novas. De lugares novos e... Ah! Deixa acontecer. Quero me surpreender com que a vida pode me dar.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

[Re]começo

A noite vai chegando aos poucos e tudo vai  ficando brilhante aos olhos dela. Como as estrelas, a lua e até as luzes do semáforo. Como ela amava a noite. Assim como amava o dia. Mais a noite, nas ruas vazias ela dançava e cantava também. Cantava músicas de amor. Sonhava com fadas e dragões. Escrevia sobre seu mundo e as vezes reunia as crianças em sua rua para contar as aventuras.
Na faculdade ela andava com seu salto alto, seus vestidos pretos e outros estampados e uma fita no cabelo. Andava pelos corredores lendo seus livros de romances. Sentava no banco com as pernas cruzadas e quando o horário ajudava saia na hora do almoço com sua melhor amiga Bel. Ela era uma amiga muito engraçada. Andava com seu all star, calça jeans desbotada e uma blusa regata. Uma era sonhadora e a outra muito realista. Mas juntas conseguiam dar conselhos e se ajudarem, quando necessário.
Fazia algum tempo que Layla e Bel não conversavam. Os dias tinham sido corridos. E já nem faziam planos de sair pelo mundo. Cada vez era mas difícil ser o que realmente se sonhou e eles vão se perdendo pelo caminho. Layla não estava se sentido bem fazia algum tempo. Na verdade se sentia angustiada. E por vezes se viu chorando de frente para o espelho e brigando com si mesmo por ser tão boba assim. E como queria ser como Bel, ela não era tão sonhadora. E era feliz. Ela realmente queria ser feliz, mas a pessoa que mais confiou e se entregou, lhe fez
sofrer e levou tudo de bonito com ele. Não escrevia e nem contava mais suas histórias. Não queria ouvir música e nem dançava mais pelas ruas vazias. Enviou uma mensagem para sua amiga dizendo: " preciso de você, já não vejo as cores."
Bel chega na casa de Layla e toca a campainha, mas ela não atende. Pega a chave reserva embaixo do vaso de rosas amarelas. Entra devagar. Leva uma cesta com flores, chocolates e um envelope. Layla esta jogada na poltrona em frente a janela com o olhar perdido e enrolada no cobertor.  As roupas estavam jogadas pelo chão. A cama desarrumada e ela nem estava com a fita no cabelo. Ligou o rádio. Começou a pular e cantar. Pegou a mala e começou a colocar um monte de coisas dentro. Layla reclamou e Bel nem ligou e disse: " se tivesse aberto o envelope iria ver as nossas passagens para hoje a noite". Layla sorriu e começou ajudar a arrumar as malas.
No aeroporto, era um pouco de loucura. Onde havia a mistura de sorrisos, lágrimas, pessoas apressadas e uma voz irritante anunciando os vôos. Embarcando olhou para trás e Bel a puxava pelo braço. Mas por um segundo lembrou dele [ isso era quase sempre] e procurou e procurou novamente. Nada além do desconhecido. Era o que havia restado. Abaixou os olhos e sussurrou:
-  Toda história tem um fim... e um fim é sempre um recomeço.

Algum lugar

Ana não queria mais nada além de fechar os olhos e nunca mais acordar. Um dia estava radiante e outro num labirinto escuro e sombrio. Faltam poucos dias para sua partida. Poucos dias para aproveitar tudo que realmente importa.Ela vai perder sua alma. Sua escolha hoje foi certa, mas amanhã iria se arrepender. E ela sabia disso.Não queria mais sofrer e nem fazer ninguém sofrer. Não aguentava ver mais ninguém triste. Não queria ficar nove messes em cima de uma cama e nem encarar tudo sozinha novamente. Queria algo a mais. Queria a felicidade distante. E para isso precisava não mais voltar. As vezes é preciso se perder.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ao vento

[Eu só queria ter você no coração
Sem ter toda essa tristeza
Em que pese ser amor
Nunca temos a certeza
De que estamos sós, até o fim
] Maglore

O sol já vai desmanchando por trás das montanhas e o vento frio que passa anuncia que as lágrimas já vão brotar. As pétalas das rosas vão caindo sobre o chão e aos poucos tudo vai morrendo e seus pés sobre o macio vermelho quase faz sentir as nuvens. Mas não hoje. Não naquele momento. Queria se reinventar. Se transformar em algo mais bonito e resolveu trancar tudo que ficava dentro do coração e não mais sentir nada. Só sonhar e contar as estrelas mais brilhantes do céu. Se permitir ao novo e o destino que já lhe era distante. Resolveu não ser triste outra vez. Tentou e quase conseguiu. Mas aquele vento, justo aquele vento friozinho que acariciou seu rosto e fez-se sorrir, também trouxe as lágrimas. Tudo têm sua hora e agora era hora de mostrar suas fraquezas e sangrar.  E pensou contar ao vento o que pensava e tudo o que sentia e o abraçou bem forte. Mas acho que ele não ouviu ou não entendeu. Mas parecia que sim. Não era tão triste. E pensou por um momento que não era tão só aquele peso da responsabilidade que tinha de não pensar em si. Mas parece que foi só mais um monte de palavras soltas ao vento. E agora só pede para o vento ir e que só volte se for para lhe ouvir e lhe dar as mãos para criarem sorrisos como os das tardes de verão. Que seus olhos se perderam na escuridão e até o mundo não lhe quer mais.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Efusões

Se sente só, mas sabe que não esta. É apenas mais uma alma a vagar triste pelo mundo. Que perdeu a vontade de viver, que sangra por dentro, mas chora alegria na face que se oculta, para que sua verdadeira alma não transpareça dor.
Sente sua felicidade escorrer pela veia como a água que escorre pela torneira e que por mais que se tente não desperdiçar, uma quantidade significativa se vai. E não volta. Pena, não ser tão transparente como a água.
Apesar de saber o certo, queria algo mais. Algo que não fosse rotina. Gostava do que era diferente. Mas também sabia que podia perder os únicos fios de felicidade que tinha. Não sabia dar nome ao que sentia. Escutava músicas bonitas que falavam algo sobre amor e quase sempre cantava e como cantava bem, mas sempre quando triste.
Contava os dias e como queria que passasse depressa, para quem sabe, chegarem os dias bons e quando tinha não era completo. Sempre faltava uma parte um lado que não podia ter hoje. E assim seguia com os dias ao meio e as cores até se misturavam em cinza, vermelho , azul... E quando se dava conta havia bebido além da conta e contou para alguém do lado que estava cansado de amores, mas no dia seguinte não conseguia ser só. A solidão doía demais. E assim criava seu mundo e se perdia do real. Até ser realmente só. E então transbordava.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Tenho pedido tanto as estrelas. Já nem olho mais pro céu. Só fecho os olhos.  Os dias tem sido corridos e você já nem vê tantas lágrimas. Você tem me feito tão bem. Nossas caminhadas pela noite. Nossas conversas soltas. Suas piadas sem graça. Mais quando me abraça me sinto forte. Você me pediu pra levar minha tristeza. E, as vezes, da certo.  Quase sempre. Ontem eu acho que adormeci. Só lembro de te pedir colo e você sorrir. Acho que foram os vários copos de martíni. E amanhã já nem vou falar tanto dele. Não vou. Vou te falar de mitologia grega  e de músicas. E talvez até deixe você segurar minha mão.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

E com o vento ela se foi. Leve. Ele nem percebeu seus olhos dizendo adeus. Ele não viu quando a menina sonhadora que com um cartão e uma rosa ele roubo o coração sorriu e deixou cair uma lágrima. Ele não viu e amanhã suas lágrimas cairão.  Ela essa noite vai se desmanchar e se pudesse ela não iria ...
                                                                                                                          iria a onde ele fosse



se não houvesse as mentiras.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Se amanhã eu não acordar...

Carta para Amanda.







" Amanda,

 Gostaria de te contar. Apenas te contar. Eu sei que você vai demorar a entender minhas palavras nessas linhas tortas. Mas quero que saiba o quanto você é importante. E jamais deixe que alguém lhe conte ao contrário.
Tudo começou numa tarde de outono. Eu me sentia como as folhas caidas no chão. Quando descobri pela primeira vez que você estava em mim. Sim, eu te sentia. Senti medo. Me desesperei. Doeu. Fiquei perdida.  Estava no momento mais doloroso da minha vida. Ah! Filha. Todo mundo me julgou. Queria morrer. Sim. Isso é horrível, mas como poderia lhe fazer bem se minha vida se resumia a ficar num quarto deitada e tomando vários remédios. Sozinha. Era assim que me sentia.
O médico falou que nós corriamos risco de vida. Tive anjos da guarda que me ajudaram a ficar bem e me distrair. Mas ficar presa a uma cama, não é fácil. Todos os dias eu chorava e perguntava a Deus, Por que eu? Por que agora? Só me falavam que você era meu anjo. Para ter calma. Que toda dor iria passar. Passar?
Os meses se passaram e eu te sentia cada vez mais, te amava cada vez  mais. Quando triste. Pegava a roupinha que havia comprado para você e abraçava. Rezava para o anjinho da guarda me dar forças e pedi que você não senti-se minha tristeza. Não queria que fosse triste. Todos os dias eu cantava para você e lhe fazia carinho. Meu anjinho! Eu te amo muito.
Chegou o grande dia minha flor. Sua madrinha esta segurando minha mão. Estou com tanto medo. Quero tanto ver seu rostinho. Quero tanto te ter em meus braços. Sinto tanta dor. Frio. Estou rezando neste momento. Estou pedindo a Deus que você seja feliz. Que minha felicidade se torne sua. Que me permita lhe ver crescer.  Filha, quero que compartilhe suas alegrias a cada momento e não fique triste por pensar em mim. Eu estou feliz porque tenho você. Sempre estarei com você. Sempre.Te amo sempre, sua mãezinha. "


Esta carta foi escrita por uma mãe para sua querida filhinha. As duas corriam risco de vida. Sim.  Ela queria que sua filha soubesse o quanto a amava, se algo desse errado. Mas hoje elas estão juntas e andam de mãos dadas pelas ruas. As duas. Sua felicidade se resume a Amanda. E quando esta triste basta ver os olhinhos brilhantes de Amanda, pois ali se encontra toda a sua felicidade. E não existe amor maior. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Feito cinzas

Chega assim, meio sem chão. Tinha um sabor salgado nos lábios ainda molhados. Tinha medo. Perder? Sofrer? Não sei. Talvez só o medo de ser só.  Têm andado pelas ruas com os olhos baixos e tentando inventar amores. Sente vazio. Busca por ombros macios e sorrisos que lhe faça esquecer os problemas. Pelo menos pelas noites ou quando a solidão lhe consome. Quando só, chora. Então se enfeita com as Flores. Uma de cada lado. Dias diferentes. Doces e sonhadoras. Personalidades diferente, ou quase, quem sabe? Tem dias bonitos e outros não. Vai se desmanchando como as cinzas no asfalto. E vive de sonhos. Ilusões. E você vai me perguntar qual é o problema? Nenhum. Até começar a usar como fuga da realidade e deixar as responsabilidades de lado. Os problemas vão se acumulando e vai tornando seu mundo em mentiras. Só mentiras. Menti no trabalho, amigos, mãe, pai... qualquer um. Então a vida lhe da um chute na boca do estômago e o ar some. A verdade aparece suave como uma brisa. Apenas começa suave. As pessoas que importam vão embora e resta a solidão. Não existirá nada de bonito mais. Nada de importante. Nada. Não haverá nada.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Só queria que não fosse mais igual.


 O relógio teimava em ecoar pelo quarto. O sol atravessava as cortinas. Não queria levantar. Queria voltar a sonhar. Jogou o travesseiro sobre o rosto e o abraçou bem forte também. Gritou. Levantou-se e escolheu um dos vestidos que mais gostava. Queria estar bonita. Tinha passado os dias triste demais. As malas estavam atrás da porta. Havia deixado aquelas lembranças felizes, mas que também sangravam. As fotos já não estavam na parede. Estavam na mesa perto da janela, junto com alguns livros, CDs, cartas e uma flor. Coisas sem importância. Nunca eram. Na gaveta ainda estava a fita de cetim que adorava e enfeitou seu cabelo. Nos olhos ainda molhados pintou com lápis preto e nos lábios uma leve camada de vermelho. Ficou se olhando no espelho. Rabiscou  -  " [ ...] não pensa que eu fui por não te amar. "
Tudo estava ali. Chorou. Não por ser fraca. Não era isso. Era por saber que não sentia ódio, raiva ou qualquer coisa do tipo. E também não conseguia dizer adeus. E ela tentou por muitas vezes. Mas não conseguia deixar o que tanto amava para trás, mas também sabia que nem tudo que se gosta faz sorrir. Não fazia mal. Lhe fazia chorar[as vezes]. E aceitava porque os momentos que eram felizes lhe fazia esquecer o resto. Mas só estava cansada das tempestades.
Na sala seu pai esperava para irem comprar as passagens. Sua mãe chorava na cozinha. Ela também chorava. No outro quarto suas meninas brincavam e sorriam. Sentou se ao lado delas e contou algo sobre elfos e dragões. E ficaram ali por algum tempo. Esqueceu da hora. Na sala alguém gritou seu nome. Correu para ver o que havia acontecido. Sua mãe sussurrou -  " é José " - Segurou o telefone e respirou fundo. Ficou muda. Não sabia o que falar, até sabia mas não conseguia.
- Oi! Você ta aí? ... fala comigo.
- Oi!
- Você ta bem?
- hum hum... e você?
- normal. Já te falei sobre isso. Vamos sair?
- É... hoje não da. Fica bem...bem...vou sentir saudades gatinho. A...Ad...Até...Te ligo quando chegar. Beijinhos.
- Espera aí. Que aconteceu? Que vai fazer? Me fala...me fala...[ tutututututu - ao fundo só o sinal de ocupado].
Por um minuto Ana pensou em desistir. Mas também pensou que se queria  fazer dar certo precisava ficar bem. Se sentir bem. Quem sabe sorrir um pouco? Não isso já era demais. Não tinha certeza mais de nada. Só que queria correr para vê-lo. Mas seria igual. Tudo igual. E isso não queria mais. Só queria fosse um pouco diferente.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Como filme em preto e branco

Na madrugada, meus pensamentos estavam soltos e tudo se misturava.Me falaram que não é possível ser feliz no amor o tempo todo. Que não existe conto de fadas, que eu tenho que parar de fantasiar e ver a realidade. E falei que tudo que escrevo e que conto em minhas histórias para as meninas são para que eu tenha esperança que tudo pode ser melhor e talvez assim eu acredite no que eu escrevo e faça acontecer o que elas representam. Ai, desculpa mas esse monte de palavras bobas.  É que as vezes eu queria escrever sobre dias felizes como nos filmes só para ver você sorrir.Mas sabe sábado eu fiquei feliz, e quis gritar ao mundo que as vezes o amor pode te surpreender. Não pela noite, sorrisos e alguns goles de cerveja, mas o encanto. Algumas lágrimas. Toques. Confiança.E algo mais que não se conta.Só senti.E veio o domingo. O sol brilhando e nós fugindo entre as sombras. Sorrisos. Abraços...Repousando em meu colo e eu o fazia carinho.Também cuidava de mim. Sabe, foi como em meus sonhos, deitados na cama coberto  por lençóis vendo um filme em preto e branco. Assim. Sem pressa. Como nos filmes...As vezes essas coisas simples tem mais cor. Tem mais luz.
 

Outras intensidades

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