quinta-feira, 30 de junho de 2011

rabiscos.

Sentada no telhado de frente para as montanhas.Meu olhar se perdeu em tamanha beleza. Por minutos que perdi a conta, quem sabe horas. Fiquei quieta. Não queria fazer nada. Não queria ouvir ninguém. Havia calado demais. Não mais. Ouvi os pássaros cantar e o vento embalar as folhas.Meu cabelo desgrenhado. Quase pude sentir suas mãos acariciando meu rosto. Mas foi apenas um desejo incontrolável de te ter aqui. De segurar minha mão enquanto passeávamos no parque ou quando simplesmente sentia medo. Sinto falta de te contar sobre o meu mundo de fantasias e das aventuras que enfrentei. Você dizia que eu sonhava demais. Que tinha medo do futuro. Que por mais que minhas palavras formassem histórias bonitas, elas são bem diferentes do outro lado da minha  janela.Achei que fosse por causa das decepções que havia sofrido [sentei na janela] , mas não era. Não era. Eu também vi. Eu vi. Você soltou a minha mão para que eu voasse.  Eu voei. Encontrei outras mãos para segurar. Outros braços para me proteger, mas senti sua falta. Chorava em silêncio quando conseguia me esconder. Vi as nuvens de algodão, as luzes vibrantes da noite...Ganhei cicatrizes profundas. Me senti pequena. Fria. E não importava os copos de whisky , mudar a cor das unhas e do cabelo,  nem mesmo as piadas dos amigos. Quando colocava a cabeça no travesseiro, ainda estavam lá todas as lembranças. Eu sei você não entende. Mas acreditei tantas vezes em ilusões, que não sei onde encontrar essa tal felicidade. Não sei se agora é verdadeira. Eu quero acreditar. Sabe, depois de algum tempo também conheci novos rostos, mundos desconhecidos e meu coração vai cicatrizando aos poucos. Algumas pessoas parecem anjos em nossas vidas[Você sempre será]. Mas alguns nos fazem sentir tão especiais. Nos fazem fortes.Nos fazem enxergar novamente. Não queria ficar tão longe e me desculpa as palavras duras, mas as vezes queria que me compreendesse, mas nem eu me compreendo.Luísa esta no quarto com suas bonecas e Ana deitada em meu colo. Elas são as únicas coisas que me mantém aqui e você sabe. Te faço triste, mas as vezes, machucamos quem amamos, apesar de não querer. Mas  aquelas inocentes gargalhadas pela casa aquecem o sangue que correm por minhas veias e assim não fica tão frio. Pelo menos, até ficar sozinha. Consigo ouvir o silêncio. As cortinas começaram a balançar e trazer um som conhecido. Eu adorava aquela música. Me fez lembrar mais ainda de você. Você adorava me ver dançar. Corri para pegar na caixa empoeirada em baixo da cama, aquelas sapatilhas já gastas. Saudades. Mas saudades de você. Quem iria me ver agora? Quem? Me ajoelhei no chão pálido. Amarrei minha sapatilha. A saudade transbordou.Precisava dançar. Meus pés começaram a rabiscar o chão. Em seguida o ar. Tudo tão leve e envolvente. Meu cabelo caia sobre meu rosto, mas eu gostava. O céu se abriu e se preencheu de azul. Os raios que cortavam minha janela mostraram as cores vibrantes dos rabiscos que fiz.Vi além. Vi meu coração. Eu sorri. Gargalhei e até chorei. Ana e Luísa estavam escondidas atrás da mesa me olhando, quando ouvi elas rindo baixinho. Olhei para elas e vieram correndo me abraçar e caímos no chão.Eu sei que você viu. Sei que sentiu também.


[te amo Mãe]

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jeitosa


Jeitosa

Essa menina-moça cabelo de fogo
Tem gosto pela cor do sangue
Pois na essência ela é madura
Uma mulher carioca segura
Tem esse olhar sensual e verdadeiro
Uma boca sensível e sedutora
Pinta as unhas e é felina
Arranha-te e marca até a alma
Mas fascina e encanta com calma
Quando sorri ilumina e atrai
Se brava sei de perto, destrói!
Mas nada de violência e sim
Argumentação e vocabulário
Mas pouco acontece, todos amolecem!
Com o jeitinho de menina
E o encanto das curvas maravilhosa
Desde linda mulher jeitosa
E o feitiço da presença gostosa

Ulisses Reis®
03/05/2011

Para Patrícia S2

sábado, 4 de junho de 2011

turvo.

Um porta retrato empoeirado, a noite fria e o coração vazio. Não sabia o que mais doía. Era início de Setembro. As ruas tinham passos apressados e sombras de pessoas abraçadas em meio a névoa da madrugada. Na esquina alguns jovens cantavam uma música que falava de amor. Já não sabia mais o que significava essa palavra ou só não queria mais sentir. Encostou no balcão perto dos jovens. Acendeu um cigarro amassado. Começou a beber. Sentiu os olhos cansados. Passou a mão pelo cabelo que caia sobre seus olhos e percebeu sua barba áspera. Sentiu o peso da noite turva. Ela não estaria mas em casa o esperando. Não haveria sobremesas e nem os pés aquecidos.  Não haveria as brincadeiras pela casa, as roupas no chão ou o cheiro das rosas. Não haveria mais as lágrimas. Aquelas que ele escutava atrás da porta do banheiro. Não haveria mais nada. Nada que o prendesse. Nada que o fizesse amar novamente. Nada que o fizesse ser completo novamente.Tudo de bonito que tinha, havia lhe escapado pelos dedos. Sobrou a casa vazia,as estrelas pálidas. Os fios de cabelo já sem cor. O nada.

Outras intensidades

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