quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Campo de saudades.

" Estou com vontade de te dizer agora
Agora que você está na minha frente
O que passa no meu coração agora
Agora que você me fez tão diferente... "






Para onde foram as estrelas? Era o que ela se perguntava. Era o que ela não entendia. Elas estavam lá até ontem. Estavam lá. Eram seu guia. Era tudo o que tinha de bonito. Sentiu frio. Sentiu medo. Se viu sozinha na rua. Se viu perdida entre rostos estranhos. Viu um mundo vazio.
As pessoas cantavam algo sobre a noite. E falavam sobre uma felicidade. Uma que ela não sentia há tempos. Na verdade sentia, mas não era completa. E sabia que nunca mais seria. Era o que sentia.  As paredes gélidas lhe davam mais frio. Os livros na estante já desarrumada, não lhe enchiam de sonhos. Seus filmes preferidos agoram eram tristes de mais. Lembravam o que não queria mais lembrar. Os dias continuavam passando pelo relógio. Agora tudo era estranho. Como se estivesse em outro mundo. Como se ela não existisse mais ali.
As dores iam aumentando e já quase não conseguia sair de casa. Os dias eram sempre iguais. Ela nunca mais sonhou. As pessoas lhe faziam perguntas e tentavam lhe destrair. Mas ela não conseguia ficar bem. Não conseguia. Já beirava seu aniversário e os amigos cochichavam. Ela já não queria saber. Ela não estaria mais aqui. E eles nem sabiam. Ninguém sabia. Acordou cedo. Na verdade nem havia dormido. Há insônia a consumia. Ela precisava desabafar. Ela não aguentava mais tanto peso. Não sozinha. Era um sonho lindo. Que agora era um pesadelo. Tudo um pesadelo.
As flores dançavam no campo e aquele cheiro de grama molhada. Suas lágrimas não eram mais contidas. Ajoelhou-se próximo a uma árvore. E as dores só aumentavam. Mas lhe doía mais o coração. E como doía. 
Ela não entendia porque havia lhe deixado sozinha. Não entendia porque quebrou a promessa. Ele era a pessoa com o coração mais bonito que ela conhecia. Eles se amavam. Mesmo não concordando em tudo eles se amavam. Mesmo nos dias alternados.Com a voz trêmula ela começou a dizer tudo que sentia. Disse tudo. A raiva, o medo e o quanto o amava. Ele não falava nada. Não podia falar nada. E ela não suportava aquilo doía mais. " Porque você me deixou sozinha? " - era o que repetia. Enquanto perdia as forças.
Pegou o celular e ligou para Luana. Pediu que ela a encontrasse naquele lugar lindo. E Luana não gostava daquele lugar, mas queria salvar sua amiga. Luana chegou com os passos apressados e não conseguia olhar para o lado. Amanda estava deitada debaixo da árvore ao lado do túmulo de Lucas.Ele havia morrido num acidente de carro quando Amanda estava grávida de três meses. Já quase não conseguia falar. Foram para o hospital. Enquanto os médicos tentavam salvar sua vida Amanda sussurou a amiga que segurava sua mão: " Cuida bem dela. Ensina sobre o amor. E conta como ela foi desejada e querida. Que seus pais se amaram muito e a amavam. E quando ela ficar triste,olhar as estrelas.Nunca a deixe sozinha. Nunca deixe Alice. "


Outras intensidades

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