terça-feira, 1 de novembro de 2011

Não foi preciso usar as palavras.

A gente sorri. E até finge que esta bem. Quando as lágrimas começam a querer se revelar.

 Naquele  lugar movimentado onde as pessoas se viam, mas não se cumprimentavam. A chuva escorria pelo asfalto sujo. As pessoas corriam para se esconder. Na esquina alguns tomavam café com pouca áçucar. Outros fingiam comprar jornal. Os vidros das casas e carros estavam embassados. Mia esperava que a chuva cessasse. Mas no fundo ela nem pensava nisso. Já era tarde. O telhado ainda fazia barulho com a chuva. Da varanda via as casas belas que a rodeavam e imaginou quão felizes seriam aquelas pessoas. O vento desarrumou seu cabelo. Sentiu frio. Sentiu medo. Não pela chuva, mas pelo que viria depois. Seu telefone tocou. Lucas perguntava porque  ela não havia ligado. Ela só disse -  depois eu te ligo, me desculpa. - Não queria falar. Pois suas lágrimas já transbordavam só em pensar.
O quarto estava em silêncio. Aquelas paredes pintadas de azul lhe traziam paz. Se sentia bem. Mas sabia que iria ter fim. Precisava de um fim. As lágrimas, as mentiras... Tudo que não lhe fazia bem. Fechou os olhos procurando por tudo de bonito que havia em si. Saiu. Não precisou dizer adeus. O seu olhar foi adeus e ninguém percebeu.
Os pingos de chuva apagavam suas pegadas. Entrou no ônibus sem dizer uma só palavra. Seu cabelo caía sobre os olhos. Estava, quase vazio. Sentou no banco do meio. Sua mãe lhe dissera uma vez que era mais seguro. Estava com frio ainda e agora sua roupa estava molhada. Abraçou suas pernas e perdeu seu olhar pela janela embassada. Ela não ligava. Não fazia diferença. Suas lágrimas rolaram outra vez. E alguns até pensaram que ainda era da chuva. Mas na verdade era só o finalzinho da tempestade que havia dentro dela. O que precisava agora era só ficar com o silêncio.

Outras intensidades

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