segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ela e Ele

O sol não era tão forte lá fora. E na sala não havia conversas, não havia risadas, não havia. Isso não era o que queria. Precisava daquela conversa, das risadas soltas. Isso a tornava um pouco mais forte. E era o que precisava ser. E as vezes conseguia. Todo mundo a observava e estavam preocupados. Ela não escutava mais música. Não via os filmes de amor. Nem andava pela casa lendo seus livros de amor ou dançando alguns passos que lhe faziam quase voar. Não era mais ela. Ela estava se perdendo. Ela deixou tudo de bonito ir embora. Nem a primavera que tanto gostava fazia seus olhos brilharem.
Agora trocou as palavras doces por palavras frias. Ela que odiava essas leis. Gostava da liberdade. Como gostava. Pensou um dia ser como a borboleta. Mas quando tentou cortaram suas asas. E a fizeram morrer. Não dormia. E quando o fazia era o cansaço. Só conseguia sentir o peso e as horas felizes que tinha e os poucos sorrisos que nasciam em seus lábios eram desfeitos em meio as lágrimas.
Não foi fácil chegar até aqui. Nem aguentar o peso sozinha. E mesmo quando pedia ajuda era assim, sozinha. Ela chorava sozinha também. E as tardes de domingo que eram tão bonitos em família. Era um sonho. Onde vivia um amor. Onde vive um amor. E ele chegou apagando a luz e acalmando seu coração. Pedia para esquecer e só pensar naquele momento. Porque era o que importava.Pediu colo. E a mantia segura também. A menina de bicicleta rosa sorria e sonhava. A pedia para não ir embora. Pedia também desculpas pelos erros. Que queria tentar ser feliz, mas cada vez mais via que não conseguia.Os erros o faziam feliz na hora, mas depois era um peso. É tão difícil formar um lar. Só haviam contado a ela que o amor era uma fantasia. E nas noites em que não conseguia dormir tentava escrever contos de fadas para as meninas e contava quando conseguia. Alguém com olhos doces lhe disse que linda borboleta iria brilhar. E a pediu para deixar mostrar que ainda existe cores no arco-íris. Mas ela havia perdido o pincel e as cores. Tudo que lhe restava era o preto e branco , há e o cinza. Só havia as responsabilidades. Era o que importava. Sua alegria não importava, mas das suas menininhas sim. Sabe ele chegou tão bonito. Ela estava cinza. Ele sentia saudades e ela também. Os corpos logo se reconheciam e se encaixavam. Mas ela queria mais. Queria uma certeza. Ainda estava doendo. E ele nem sabia. Ele havia fugido da realidade. E ela soltou o cabelo para que ele não visse as lágrimas que escapavam vez em quando[sempre]. Ele viu e ela contou um pouco do que sentia e do que acontecia. Ela o fez chorar. E ela chorou.Mesmo não querendo que tudo fosse assim.Silêncio. E aos poucos logo os olhares se cruzavam e os toques eram doces. Beijo doce e outros, outros... Ele voltava agora para a rotina da semana. Ela também. E eles? Ninguém entende, as vezes nem eles. Mas sentem.

Outras intensidades

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