sábado, 22 de outubro de 2011

Deixa eu cuidar de você

" Olha, da primeira vez que eu estive aqui
Foi pra me distrair... Olha, foi então que eu te conheci
Naquela noite fria
Nos seus braços os problemas esqueci. "

Sempre achava que podia acordar e fazer tudo diferente. Mas dessa vez não pode fazer nada. Sentia uma dor que a sufocava como se apunhalassem seu coração com um punhal. Como se sua vida fosse roubada. Sua vontade de viver. Já não importava se seria feliz para sempre ou triste para sempre.
Trancou suas lágrimas [como de costume]. Acorrentou o coração para que não batesse mais. Contornou seu olhos com lápis preto, como se quisesse matar as cores do mundo. Prendeu o cabelo com as mãos e cortou com a navalha e ainda sim eles caíam sobre seu rosto. Pensou por breve segundos cortar os pulsos como fizera aquela outra, mas era fácil demais. Julgo ser para os fracos. E ela tinha responsabilidades.
Seguiu pelas ruas vazias. E o silêncio gritava. Passos marcados. Nada de leve e nem doce. Só havia o peso dos olhos inchados e baixos que cortavam as ruas. Respirou fundo várias vezes , como se buscasse em si um pouco daquela felicidade que sentiu. O pouco que sobrou. Pessoas, abraços apertados, sorrisos...Estava cercada deles. Até sorriu por alguns momentos também. Aqueles homens queriam sua doçura, que ela estava perdendo. Queria outro corpo. Um que não pesasse nada, pois o seu doía demais.
Seus pés deslizavam pelo chão. Os quadril marcava o compasso da música. A roupa colada marcava suas curvas já molhada de suor. A música ao fundo mudou e seus pés vacilaram levando seu corpo ao chão. Todos a olhavam e pareciam preocupados se havia se machucado. Sim. Ela havia se machucado, mas não seu corpo, mas sua alma. As lágrimas se libertaram. Ninguém entendia o que realmente se passava. João a abraçou como se quisesse roubar sua dor. Vanessa segurou sua mão e disse qualquer coisa sobre que ele não merecia aquelas lágrimas. E uma confusão de olhares, perguntas e música a enlouqueciam. João a pegou pela cintura e a levou para andar. Estava tão frio e era tão alto, que reparou que quase podia alcançar o céu. Ela queria ver as estrelas, como amava aquele brilho. Ficou tonta. João sentou ao seu lado e ela deitou em seu ombro. Ele sorriu e disse: " nem quero imaginar você bêbada". Ela também sorriu e olhou aquele sorriso bonito. Ele notou que as lágrimas voltaram a cair novamente e segurou em seu rosto e secou as lágrimas acariciando seu rosto. Ela segurou a mão dele e levantou-se. Ele segurou-a pela mão e disse olhando em seu olhos: " Só deixa eu cuidar de você... um dia de cada vez. Deixa eu te mostrar as estrelas que moram no seu olhar. "


Outras intensidades

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