terça-feira, 27 de setembro de 2011

[Re]começo

A noite vai chegando aos poucos e tudo vai  ficando brilhante aos olhos dela. Como as estrelas, a lua e até as luzes do semáforo. Como ela amava a noite. Assim como amava o dia. Mais a noite, nas ruas vazias ela dançava e cantava também. Cantava músicas de amor. Sonhava com fadas e dragões. Escrevia sobre seu mundo e as vezes reunia as crianças em sua rua para contar as aventuras.
Na faculdade ela andava com seu salto alto, seus vestidos pretos e outros estampados e uma fita no cabelo. Andava pelos corredores lendo seus livros de romances. Sentava no banco com as pernas cruzadas e quando o horário ajudava saia na hora do almoço com sua melhor amiga Bel. Ela era uma amiga muito engraçada. Andava com seu all star, calça jeans desbotada e uma blusa regata. Uma era sonhadora e a outra muito realista. Mas juntas conseguiam dar conselhos e se ajudarem, quando necessário.
Fazia algum tempo que Layla e Bel não conversavam. Os dias tinham sido corridos. E já nem faziam planos de sair pelo mundo. Cada vez era mas difícil ser o que realmente se sonhou e eles vão se perdendo pelo caminho. Layla não estava se sentido bem fazia algum tempo. Na verdade se sentia angustiada. E por vezes se viu chorando de frente para o espelho e brigando com si mesmo por ser tão boba assim. E como queria ser como Bel, ela não era tão sonhadora. E era feliz. Ela realmente queria ser feliz, mas a pessoa que mais confiou e se entregou, lhe fez
sofrer e levou tudo de bonito com ele. Não escrevia e nem contava mais suas histórias. Não queria ouvir música e nem dançava mais pelas ruas vazias. Enviou uma mensagem para sua amiga dizendo: " preciso de você, já não vejo as cores."
Bel chega na casa de Layla e toca a campainha, mas ela não atende. Pega a chave reserva embaixo do vaso de rosas amarelas. Entra devagar. Leva uma cesta com flores, chocolates e um envelope. Layla esta jogada na poltrona em frente a janela com o olhar perdido e enrolada no cobertor.  As roupas estavam jogadas pelo chão. A cama desarrumada e ela nem estava com a fita no cabelo. Ligou o rádio. Começou a pular e cantar. Pegou a mala e começou a colocar um monte de coisas dentro. Layla reclamou e Bel nem ligou e disse: " se tivesse aberto o envelope iria ver as nossas passagens para hoje a noite". Layla sorriu e começou ajudar a arrumar as malas.
No aeroporto, era um pouco de loucura. Onde havia a mistura de sorrisos, lágrimas, pessoas apressadas e uma voz irritante anunciando os vôos. Embarcando olhou para trás e Bel a puxava pelo braço. Mas por um segundo lembrou dele [ isso era quase sempre] e procurou e procurou novamente. Nada além do desconhecido. Era o que havia restado. Abaixou os olhos e sussurrou:
-  Toda história tem um fim... e um fim é sempre um recomeço.

Outras intensidades

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