sábado, 4 de junho de 2011

turvo.

Um porta retrato empoeirado, a noite fria e o coração vazio. Não sabia o que mais doía. Era início de Setembro. As ruas tinham passos apressados e sombras de pessoas abraçadas em meio a névoa da madrugada. Na esquina alguns jovens cantavam uma música que falava de amor. Já não sabia mais o que significava essa palavra ou só não queria mais sentir. Encostou no balcão perto dos jovens. Acendeu um cigarro amassado. Começou a beber. Sentiu os olhos cansados. Passou a mão pelo cabelo que caia sobre seus olhos e percebeu sua barba áspera. Sentiu o peso da noite turva. Ela não estaria mas em casa o esperando. Não haveria sobremesas e nem os pés aquecidos.  Não haveria as brincadeiras pela casa, as roupas no chão ou o cheiro das rosas. Não haveria mais as lágrimas. Aquelas que ele escutava atrás da porta do banheiro. Não haveria mais nada. Nada que o prendesse. Nada que o fizesse amar novamente. Nada que o fizesse ser completo novamente.Tudo de bonito que tinha, havia lhe escapado pelos dedos. Sobrou a casa vazia,as estrelas pálidas. Os fios de cabelo já sem cor. O nada.

Outras intensidades

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