segunda-feira, 2 de maio de 2011

margarida...


No criado mudo, um jarro com margaridas. Lindas margaridas brancas. Como Amanda gostava. Achava tão alegres, mas fazia muito tempo que não recebia flores.
Jogou a bolsa no sofá, pendurou as chaves e o casaco. Chovia muito. Estava encharcada. Tirou a roupa molhada e jogou no cesto de roupa. No rádio o som MPB embalava o final da tarde. Fechou as janelas. Abriu o chuveiro e deixou a água deslizar pelo seu corpo. Podia sentir as gotas quentes da cabeça até a ponta dos pés. Lhe fazia leve. Enxugou seus cabelos e se enrolou na toalha. Sorriu ao perceber que mais uma vez havia esquecido de pegar a roupa. As luzes estavam apagadas, parecia não haver mais ninguém em casa. Só havia o som da TV ligada no quarto.
Na cama alguém esperava com a cabeça baixa. Ela não acreditou. Pulou na cama como uma criança e beijou-lhe o rosto. Porém ele permanecia sereno. Viu algumas lágrimas rolarem e uma voz trêmula dizer - " te perdi... te perdi há muito tempo...te magoei muito, mas quero acertar...eu...eu to tentando" - Amanda se encolheu ao lado dele. Sentiu a ferida se abrir. Já sabia toda a verdade e apesar de doer muito, não sentia raiva dele. Queria dizer tudo o que sentia, o quanto ainda o amava, mas não conseguia. As palavras se perdiam entre os dentes. Ele deitou em seu colo e ela acariciando seus cabelos negros sussurrou em seu ouvido -" você não me perdeu ". Ele sorriu e disse - " ela me ama ".
O celular de Amanda estava tocando em cima da mesa do computador. Foi atender, mas a ligação estava ruim. Sentiu um toque suave em seu rosto.Deslizando pelo corpo fazendo a toalha cair.Assim como o celular. As roupas estavam espalhadas pelo quarto. Ele pegou uma margarida e deslizou pelo seu corpo como se ela fosse a chave para abrir todos os segredos. Corpos entrelaçados. Respiração ofegante. Corpos suados, sorrisos...
-Você é minha flor, morena. Eu nunca te esqueci.


Flor do Horizonte



Outras intensidades

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