quarta-feira, 20 de abril de 2011

Me deixa ser...



Passava as noites na varanda.Cantava e quando conseguia escrevia.Escrevia muito bem.Aquela noite a lua estava estava cheia e ele quase conseguia sentir.Na sala alguém estava em frente a tela colorida,vendo as pessoas se destruindo. Não suportava. Nas ruas os rostos tinham sorrisos.Ali nada,além do vazio.
Sentado sobre o muro, Lucas chorou.Abraçou suas pernas.Gostava de sentir a brisa secando suas lágrimas. Não se sentia tão só. Um pássaro de olhos pequenos e brilhantes pousou na grade ao  lado. Sentiu como se alguém o invadisse. Ali era seu refúgio. Só seu. Começou a observá-lo. Reparou em suas asas e em seu tom negro. Perguntou - " Me deixa ser você? "- Pensou que assim talvez ele poderia conhecer um mundo diferente. Já havia sofrido tanto. Deitou sobre o céu estrelado. Ainda acordado. Confidenciou a lua que faria qualquer coisa para viver um dia o gosto da liberdade. Como um sonho sólido.Mas...mas se... Talvez não houvesse nada além daquele escuro. Sentiu-se fraco. Faltava-lhe o ar. Era como se estivesse preso em uma correnteza. Tinha medo.Um que nascia da ponta dos pés até o último fio de cabelo. Se fez em lágrimas. Viu-se confuso. Olhou novamente  para o pássaro. Vagaroso, aproximou-se do pássaro indistinto. Perguntou - " Por que não voou?Não tem medo? " - o pássaro com seu pequeno bico pegou um barbante presa em sua pata. Abriu asas. Pousou sobre os ombros. Ele pegou-o com cuidado e desamarrou o barbante da pata do pequenino. Ficaram assim. Quietos. Ele voou. Lucas sorriu. Sim. Não se sentiu tão só. Talvez porque estivesse mais perto de entender, apesar de ser quase incompreensível.

Outras intensidades

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