segunda-feira, 7 de março de 2011

Até...


É carnaval. Sei você não quer. Não que não ache divertido. Apenas não por agora. Por hoje. Deseja uma paz.

As ruas estavam tulmutuadas . Sorrisos nos lábios da multidão. Também sorria, por instantes conseguiu se sentir bem, até respirar novamente. Faltava algo. Alice descansou ali mesmo no meio-fio. Alguns confeites cairam sobre sua cabeça, assim como a chuva fina que aos poucos encharcava sua roupa.
 Foi caminhando enquanto desviava dos '' urubus " que desejavam sua carne. Ela sentia nojo. Deles e dela. Não queria que olhassem sua coxa ou a bunda. Queria que vissem sua alma, mas o que esperar ali? Olhou em sua volta e sentiu seu corpo tornando-se líquido. Alice abriu os olhos, sentiu uma dor no fundo deles, pois era uma luz tão branca que incomodava. Uma voz ao fundo perguntou - ''Está bem?'' - Se ela soubesse não faria essa pergunta. Acomodou-se a maca. Deu um gole no café já frio e disse - "Preciso ir. A felicidade me espera".- a enfermeira balançou a cabeça e virou as costas.
Ouvia-se o som de seus passos no corredor. Só queria sair dali. Seu telefone tocou. Era ele. Como queria ouvir sua voz, como queria ouvir que sentiu saudades. A porta de vidro se abriu. Antes que pudesse pensar nos erros, atendeu. Então escutou uma voz suave (longe).
- Oi !
-Oi, minha morena!Estou com saudades. Desculped não querer ir. Mas não estava bem.Quero te ver. Preciso de você...
-Eu também...Estou te esperando. Te adoro...
- Estou indo...
- Meu amor! Esse vai ser nosso melhor carnaval.
-Vai sim. Até
-Bjos
A porta de vidro se fecha e ela olha par trás e sorri. Desfila pela ruas escuras, mas agora com um brilho próprio, porque sua alma sorri. Agora todos olham aquele doce olhar.

Outras intensidades

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